Peço que todos aqueles que
possuam informações que possam ajudar na pesquisa sobre a Vida e Obra de Helena
Schopenhauer Borges enviem seus e-mails para
contato@marciatiburi.com.br neste site
informando o teor e conteúdo de seu material. Informaremos endereço para envio
de documentos caso seja necessário. Toda contribuição é bem-vinda. Obrigada
Eneida Fabel - secretária Projeto Helena Schopenhauer
Helena Schopenhauer Borges
suicidou-se em 1977 aos 45 anos em Santana do Livramento no interior do Rio
Grande do Sul, fronteira com o Uruguai. Viveu nas ruas a partir de seus quatorze
anos passando esporádicos períodos no hospício da cidade vizinha Rivera
(Hospital de La Santíssima Luz) fechado em final dos anos sessenta, sendo
transferidos os poucos internos de nacionalidade brasileira para o hospital de
Ana Rech próximo a Caxias do Sul. Seu registro de nascimento diz que foi bisneta
de Amália Schopenhauer, parente de Arthur Schopenhauer, o filósofo, herdeira de
alguns de seus bens (uma caneta de ouro do tio distante com suas iniciais e dois
livros com dedicatória, bem como uma soma em dinheiro que não ficou especificada
nos documentos que pudemos compilar) com os quais veio ao Brasil junto aos
colonos alemães que chegaram para povoar a serra gaúcha em 1835. A família
tentou a sorte na fronteira distante. Sua chegada data de 1844 junto aos pais
Caspar e a mãe Tessa para casar-se com Lúcio Borges, promissor dono da funerária
local, descendente de açorianos. Teve nove filhos e entre eles, Maria, a mais
nova de todas nascida quando a mãe já era avó em 1870 e filha de um escravo
alforriado pela própria Amália que se tornou viúva relativamente cedo. Maria foi
mãe de Letícia, Suetônia e Laura, nascida em 1910 e que, após parir Helena,
bastarda depois de três filhas legítimas, foi internada pelo próprio marido, um
tal Leitão Pandolfo num hospício no interior de Mostardas morrendo ali em data
não sabida. Maria, ao que consta, era poeta, deixou antes de partir para o
sanatório, alguns poemas inacabados. Helena nasceu em 1932. Não sendo adotada
pelo padrasto enraivecido, foi registrada com o nome da mãe. O pai desconhecido
era uma verdadeira ferida social naqueles tempos de moralismos ferrenhos. Helena
foi criada pela nova esposa, cujo nome não é mencionado em documento algum, que
foi mãe de outros 12 filhos do traído Leitão. A pequena Helena cresceu no
esquecimento, sobrevivendo ao discurso torpe sobre sua origem indecente.
Os
textos de Helena, dos quais aqui apresento uma amostra do que pude ler até
agora, são o conjunto de seu espólio que me foi confiado em 2005 por um grupo de
professoras de língua portuguesa da distante cidade gaúcha, que vinham reunindo
os escritos em diferentes estágios de destruição pelo tempo, pelo armazenamento.
Apresento os textos atualmente com algumas correções e até mesmo interferências
de meu próprio trabalho de linguagem, já que há nele um rumor inovador, algo de
antigo e louco que me cativa. Posso dizer que eu gostaria de refazer sua obra,
rica em imagens e sentimentos com intensa atualidade, ainda que inacabada,
talvez por isso mesmo.
Não sei que rumo irá tomar, pois pude avaliar apenas uma
parte do espólio que, notei, ainda que sem tempo de debruçar-me sobre sua
totalidade, está dividido entre os textos assinados por Helena Borges, seu nome
verdadeiro, e outros assinados por Helena Schopenhauer, seu nome não exatamente
verdadeiro, mas possível devido a seu ancestral remoto. O que a teria levado a
assinar com tal nome é algo que ainda não decifrei. O material chegou até mim em
5 caixas cuidadosamente organizadas pela Professora Dra. Luciana Argêntea da Luz
e suas alunas Beatriz Braz Vargas e Aletéia Pessoa, a quem agradeço, em diversas
pastas de papel pardo que ainda devo abrir. Ao telefone afirmaram que não podiam
mais guardar um material tão precioso em condições precárias de pesquisa e sem
ajuda institucional. É a situação da história da literatura no Brasil. Nas
pastas que pude abrir vejo que há textos que não são de Helena, mas que,
certamente, eram sua leitura, como um livro todo de Mary Wollstonecraft, Mary
Albany e Juliette Donnée, em inglês e francês como se lia na época em que a
literatura brasileira era coisa para poucos.