| CARTA DE MARTA SOARES |
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| mais depoimentos |
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Tenho a impressão de que quanto mais eu vivo, menor o mundo fica, são tantas as coincidências que acabo acreditando que o mundo é pequeno demais, pelo menos este, de corpo presente, em que vivemos. Conheci seu trabalho há poucos dias, sou professora de Geografia e a sensação de proximidade e de mundo ao alcance das mãos novamente me surpreende. Vou tentar explicar o porquê ...
Fiquei curiosa com o nome, nunca tinha ouvido falar em Helena. Meu aluno voltou e terminamos a pesquisa que ele precisava. À noite em minha casa aquele nome retornou a minha memória, lá fui eu... Digitei novamente e encontrei seus escritos. Acabei lendo tudo, dos depoimentos aos poemas e eis a surpresa, o depoimento da Professora Luciana Argêntea da Luz. O espanto se deu quando li o nome de Felipe Omar - um rapaz que fora apaixonado por Helena na adolescência e que pelo que consta foi também a paixão de Helena.
Felipe Omar?
Resolveu então guardar as folhas e entregar-lhe na próxima missa. Numa dessas folhas é que estava o poema, todo domingo minha mãe lia para mim, e guardava na bolsa, na esperança de devolver para a devida dona, mas em vão, ela nunca mais apareceu. Mamãe acabou guardando no fundo de uma gaveta e um dia revirando a procura de alguma coisa o achou e disse que ficasse para mim, pois ela o achava muito bonito. Guardei. Às vezes relia admirando o amor de Helena S por Felipe Omar. Tenho sempre por perto por trazer lembranças de minha mãe e por achar uma verdadeira declaração de amor aos olhos mais treinados. Vou lhe passar o poema e logo entenderás.
Há mar!!!... Por todo lado... Mar... Amar... O mar? Infinito! O´ Mar... Com tua calmaria me brindas, Sou Ar... Percorro teu corpo, Corro... Te perco, ó mar, Me perco, a Amar...
Agita-se, ondula-se, Sou brisa! És Fé, és livre És Fé-livre, o meu! Felipe ... Omar Ó mar! Sou ar... Negra incolor, indolor ? Da brisa suave, Na tua pele me faz vento, Percorro-a a´Amar O Mar..... Me abraças, E para os olhos de pouco treino, Mar revolto! Me envolve, Para os olhos de pouco treino, Tornado!. No mar... A amar... Como me tocas, me pulsas, Giro... Para os olhos de pouco treino Tempestade! No abraço forte,brinco em teu corpo, Para os olhos de pouco treino, Ciclone! Há mar... e há muito, O coração do ar é feito de sal, O sal do mar é “feito” do coração, Ó mar!...Doce ... Para os de pouco treino, Salgado! Do sal formam-se pedras Mas seguimos unidos... Quebrando as pedras fincadas no coração, Para os de pouco treino, Trovão! Segues Mar! Segues fé e livre, És meu Félipe, Omar...Ó mar... Sigo , sem giros, em arcos, Para os de pouco treino Há mar... Para nós, AMOR.
Meu Eterno infinito...
Como podes observar querida Márcia, não poderia deixar de enviar-lhe este poema. O original ainda está comigo, não posso me desfazer por motivos sentimentais, mas estou enviando uma cópia autenticada, caso se interesse em publicar em seu site.
Professora Marta Soares.
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