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Professora Marcia,
Olhei o
site e lá, incorporado ao Projeto HS, o material que lhe enviei. Gostei do
que vi. Penso que me precipitei mandando, de afogadilho, a primeira coisa
que encontrei, posto que, o entusiasmo com o Projeto me levou a rever os
guardados por dezenas de anos. Fora da minha busca anterior encontrei,
mais legíveis, outros poemas que configuram ser de HS. Assim, fica a
seu critério o procedimento a ser adotado.
Atenciosamente,
Clara
BAÚ DE ESPANTOS
Na hora
noturna
se o medo me surpreender e tomar os meus sentidos
hei de procurar tua mão e nela me amparar
para a travessia dos momentos confusos de minha alma atordoada
se a
incerteza fizer morada em minha mente
já tão cansada das agruras que não se findam
hei de ter arrimo em tua mão
poderei me fortalecer em teu olhar encantado
capaz de afastar os fantasmas e as pedras
assim recobrarei as forças e caminharei
mesmo que precise segurar nas mãos meu coração fraco e aos pedaços
depois
quando encontrarmos um vão qualquer
longe dos obstáculos e das tempestades
tua mão se espalmará sobre meu coração infantil
em vibração silenciosa e descompassada
meu
coração inquieto reconhece quando percebo que teus passos miram a fuga
vais
partir eu sei
e de herança deixarás um baú de espantos
e de consolo terei a piedade de minhas lágrimas vagarosas e aguadas
porque o sal de suas gotas (antes líquidas) se tornará vapor
quando tua mão abandonar meu coração
que restará mais ferido e desgarrado de seus pedaços.
(H.S)
NOITES INSONES
Um
instante
e eu saberia tomar as rédeas do impulso ao que me acenas
vagamente
o frêmito é maior que a razão e a paciência
e o que vejo em teus olhos assustados transparece em tua pele
é vertigem
é o inominável fardo que as noites insones te presenteia
é o visível esforço para seres inteiro sereno e frio
recoberto de orvalho
quando
vens
cada passo é a medida do tropeço
nada sabemos além do que nos impõe a determinação de seguir
e a possível viagem
traz consigo a trilha desconhecida e sem bússola
como a paixão que relutamos atender
de
bagagem
transportamos nossos corpos sem os adornos
e sem as intenções construídas de acasos
exauridos
nossos corpos pressentem o desenho dos desejos
mas
abatidos
exalam pelos poros incerteza e desvario e se alucinam
se não descobrem o freio que a solidão permite.
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